sábado, 3 de dezembro de 2011

Este é o momento da transição


De uma maneira geral, todas as zonas geográficas do interior de Portugal têm vindo a ficar desertificadas, a falta de incentivos, gerados por políticas nacionais e europeias, têm empurrado os jovens para os grandes centros urbanos em busca de melhores condições de vida. A desertificação está a revelar-se irreversível. Ao contrário de outros países da Europa, que fomentam e criam condições para um regresso das populações às pequenas localidades do interior, em Portugal faz-se o contrário, em nome de uma falsa economia. O vazio de incentivos quer à indústria, quer à agricultura, fizeram do interior um deserto. Dos meios rurais continuam a ser banidos todos os serviços, encerram-se unidades de saúde, encerram-se estabelecimentos de ensino, extinguem-se serviços e as pessoas são forçosamente obrigadas a rumarem às grandes cidades em busca do mínimo de "conforto" e segurança.
Estas políticas já estão a ter implicações negativas nas sociedades, quebram-se os laços fundamentais de coesão social, cultural e familiar.
O interior do país tem sido altamente fustigado, há campos ao abandono um pouco por todo o interior, as florestas entram pelas aldeias porque não há quem as detenha, casas em ruínas são uma constante da paisagem, as poucas pessoas que permaneceram no interior são neste momento uma população envelhecida, sem qualquer interação com as gerações mais jovens.
Este é o momento de reverter esta situação. Somos jovens e queremos quebrar este ciclo. Queremos agarrar no património e dar-lhe nova vida. Queremos aprender com aqueles que ficaram no interior e que são, neste momento, os únicos que detêm sabedoria para a poderem transmitir. Com estas velhas gerações morrerá todo um património local.
Queremos voltar ao campo, queremos meter as mãos na terra, mas também no barro, nos queijos, no mel, no pão saloio, nos bordados, queremos recuperar aquilo que está quase perdido. Queremos reinventar os patrimónios locais. Temos mais ferramentas que as gerações anteriores, temos acesso à informação, temos mais formação e vamos usá-la a nosso favor.

Este é o momento de bebermos todo o saber que nos queiram transmitir. 

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